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Cultura do Estupro: Até quando? - Artigo

por Vitória Laís


A: “Sabe aquela barbárie que fizeram com uma mulher essa semana?”

B: “Qual dos casos de barbárie?”


Em resumo, isso se trata de um dos diálogos mais comuns nos últimos dias. Segundo o 13º Anuário Brasileiro de Segurança Pública sobre o recorde da violência sexual, divulgado em setembro de 2019, foram 66 mil vítimas de estupro no Brasil em 2018. Maior índice desde que o estudo começou a ser feito, em 2007.


A partir desses dados não sei o que mais me atemoriza, o número de vítimas de estupro ou o simples fato dos índice terem começado apenas em 2007. Isso diz muito sobre a nossa cultura no Brasil e a importância que os corpos femininos têm para sociedade.


Contraditoriamente lidamos com a representatividade da cultura como algo positivo, a ser preservado e perpetuado. Mas como fazemos com essa cultura que mata, tortura e acaba com a dignidade das mulheres diariamente. Sendo mais específica, uma média de 180 por dia. Cultura tal que é preservada e cultivada dentro de uma sociedade machista e misógina.


O que aconteceu no hospital de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, é mais de um caso que acontece cotidianamente no estado do Rio de Janeiro. Contudo, tem um grau de crueldade ainda maior (se é que é possível), pois foi uma mulher anestesiada durante o parto. Talvez não haja vulnerabilidade maior na vida de uma mulher.


Nem nesses momentos a segurança da mulher é garantida, na verdade, em momento nenhum, pois somos abusadas e estupradas quando crianças, adolescentes, adultas, dando a luz, vida ou mortas.


Fico me perguntando, até quando? Até quando os nossos corpos vão ser de domínio masculino? Até quando homens vão continuar se sentindo no direito de fazerem o que quiserem com os nossos corpos?

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